segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Perdi-me

Perdi-me por entre os papéis, por entre as (poucas) conversas, por entre as vozes, as flores, as árvores, a rua... a música. A TUA música. Porque é esta a razão de tudo, a razão que me chama, que me persegue, que insiste em estar na minha cabeça... Que fica e fica e ouço-a vezes sem conta... A música que é tua, porque tem a tua cara, és tu... ou talvez não. Talvez tenha a tua cara, mas na minha perspectiva... Na perspectiva em que a palavra NÓS realmente existe. No meu sonho... no castelo que construí sem intenção... sem pensar em nada. Sem perceber o que se passava, no meio da confusão apareceste tu. Apareceste e ficaste. Construíste a tua barreira e afastaste-te... É por essa mesma barreira que eu ainda estou aqui... porque não sei o que se passa comigo, contigo. Porque a tua barreira me chama... Porque talvez me queiras afastar mas não vais conseguir. Não porque não tens força... mas sim porque já não depende de ti, nem de mim. Depende do tempo, do destino. E um dia vai acabar tudo... ou talvez nunca acabe. Talvez dure mais uns segundos, uns minutos, umas horas, uns dias ou meses... Talvez um dia saibas o quanto gosto, o quanto quero estar, o quanto quero ver, o quanto quero sonhar... o quanto quero viver... CONTIGO. Tudo porque um dia me perdi... perdi-me em ti. E continuo a perder-me vezes sem conta... sem dar por isso... mas porquê? Porque é que és tu? Porque é que tinhas de ser tu a parar pelo meu destino? Porque é que gosto? Porque é que me preocupo? Porquê hoje... Hoje perdi.Tudo começa sempre quando não se está à espera de mais ninguém. Um primeiro olhar, pronto para começar, o segundo e o terceiro. Rezo para que desta vez seja tudo verdadeiro. Vou-me sentar e esperar porque o que eu sinto só eu sei.




Um beijo
*Kelhas*


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