terça-feira, 21 de outubro de 2008

A ti, Rafa

Passaram dois meses e picos desde que me deixaste,
Desde que te vi
E desde a última vez que te beijei.
Nessa eternidade,
Um segundo bastou para me aperceber do quanto perdi ao não saber recuperar-te.
A ignorância saiu-me cara.
Pago-lhe com a alma.
Todos os dias eu procuro a paz de espírito que me roubaste,
Todos os dias a mesma auto-mutilação,
A mesma revisão do que fiz e não fiz,
Do que disse e devia ter calado,
Do que aconteceu e do que poderia ter sido.
Recrio vidas inteiras contigo nos meus pensamentos.
Estás comigo todos os momentos conscientes.
Apenas a humilhante prescrição de não poderes seguir-me aí me quebra por dentro e me força na realidade perversa.
Sinto um medo entranhado nas vísceras,
O de ser alma penada neste mundo,
Eternamente condenada a procurar-te nos outros,
Sem nunca saldar o meu "Karma" e libertar-me da prisão da tua memória.
Pergunto se exististe mesmo.
Se não foste apenas um fabrico cruel da minha mente,
Se não fui só eu e não Deus quem te insuflou vida e te criou à minha volta em todos aqueles momentos.
Sinto a tua falta.
Agora.
Sempre...
De manhã ainda não regressei do mundo piedoso da inconsciência e já o meu coração explode e a minha garganta aperta na célebre memória de estares neste mundo mas esse mundo não estar do meu lado.
Mesmo assim eu tento.
Juro que sim.
Saio da cama e visto a face universal do demasiado ocupada para me importar ou pensar nisso.
Mas penso amor...
A todo o instante...
Olho para dentro de mim e acho-me insana,
Mas nunca nenhum psicólogo conseguiu curar a obsessão que o amor é num coração partido e só.
Faço o que me resta.
Ignorar a minha parte mais pura e pedir desculpas pelo que sinto.
Desisti.
Não consigo arrancar-te de mim, Rafa.
Não luto mais.
Deixo que a tua ausência me invada e me leve à loucura.
Tu és morte.
Imolaste-me na tua rejeição.


Um beijo
*Kelhas*

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