segunda-feira, 13 de abril de 2009

Silêncio

Já não oiço o pulsar apressado do coração… agora também ele é sossego, sinto-o, mas num sentir inquieto do que não podemos por princípio ilustrar.
Silêncio… é o preenchimento de todos os sons de todas as melodias e movimentos. É o cansaço dos passos soltos pelas ruas… das palavras caladas que não se dizem… dos sentimentos mudos que não falamos.
Silêncio... é a promessa que habita, é distância que invade, é aquele rosto que da memória relembramos durante todo o dia, sem que nunca lhe possamos sentir a voz.
Silêncio... são os gritos que trago dentro e que duram amordaçados, inteiramente cansados, com vontade de partir.
Silêncio... é esta luz solta e desprendida que teima em dar cor de tons pastel às paredes traçadas a bege, que nem com o silêncio se alteram.
Silêncio... é o passado… o futuro... o presente que não contamos. São rios, são os mares, o cais de saudades de pedra… é o cheiro de alguém que se entranha em nós.
Silêncio... são as sombras… é esta noite assim, é o vazio dos poetas perdidos que vagueiam por aí… é um acorde… mil silêncios... porque é silêncio todo o silêncio que faço… pois o silêncio é este lugar que há dentro de mim.
Um beijo
*Xana*

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