terça-feira, 9 de junho de 2009

Dava cabo do mundo só para te poder encontrar.

Não sou fada, nem coisa nenhuma parecida.
As minhas pistas acabam numa nota sem som, como se a estrada de luz que no outro dia me fazia percorrer de rajada todos os meus sonhos, também ela, desistiu de existir.
O pior é desistir da vida e do sonho ao mesmo tempo.
Suponho que os cinco segundos que o sol demora a desaparecer no ponto final do crepúsculo sejam suficientes para me fazerem desistir da vida e dos sonhos também.
Esta seria a grande dádiva que não me é permitida – fazer-te desaparecer dos meus sonhos, do meu peito, do meu corpo, da minha cabeça.
A morte é o único sítio onde já não se pode sonhar.
Mas tu não morreste, só uma parte de ti, que era precisamente aquela onde eu vivia.
Ora, como ninguém sabe de ti, nem de nós, não há mais caminhos a percorrer, pois todas as estradas desaguam num ponto de interrogação, de reticência, de exclamação, sei lá.
Claro que me lembro de ti inteiro.
Jurava que te tinha tocado na pele e na alma, mas se calhar não, se calhar – e cada vez me convenço mais –, se calhar toquei na tua personagem, naquela que tu criaste, e que tu provavelmente nem exististe para mim.
Mas a verdade é que se pudesse reconstituía o teu retrato.
Olhos, mãos, boca, sorriso.
Passei dias à tua procura.
Não posso dizer que tenha sido à tua espera, porque não se espera por ti, procura-se por ti – o que é um paradoxo para matar o tempo, mais dinâmico, mais corpóreo, mais aceso também.
E, de tanto procurar na ausência, aprendi que esta é uma história extenuante.
Uma história em que passamos todos a encontrar partes dispersas de nós, o que já não é mau. Cheguei a um ponto de desdobramento em que não estou contigo mas conto contigo, e talvez tenha agora entendido que estar é pouca coisa.
Ser é infinitamente mais.
Eu estou em ti.
E de tanto procurar, de tanto ensaiar o que te diria quando por fim te encontrasse, passei a viver de uma outra forma.
Contigo cá dentro.
Minto, com a tua personagem cá dentro.
E o que é a mentira senão a verdade de pernas para o ar?
Garanto-te, agora garanto eu, que, nesta clivagem poderosa, vive-se com a alma, vive-se com asas, de maneira a tocar a tua ilusão de amor-perfeito sempre que me apetecer.
Ainda não percebi porque será que tudo aquilo em que eu toco desaparece de repente.
Mas...
Se eu tivesse de dizer aqui e agora o quanto significas para mim, ficaríamos nisto uma eternidade.
Dá-me a mão e...
Deixa-te levar por mim,
Deixa-me dar-te o mundo assim,
Sei que pode resultar,
Deixa-me mostrar-te quem sou,
Deixa-te ir com o que te dou,
Só tu o podes alcançar...
Um beijo
*Xana*

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